Sócrates e a dialética
Sócrates e a dialética
O método socrático (conhecido como dialética) tem natureza fundamentalmente ética e educativa. Está essencialmente ligado à sua descoberta do homem como psyqué, porque tem como objetivo retirar da alma a ilusão do saber, curando-a e tornando-a receptível à verdade. Dialogar com sócrates levava a um exame da alma e a uma prestação de contas da própria vida, ou seja, a um exame moral.
"Prestar contas da própria vida" consistia o fim específico do método dialético, fim ao qual Sócrates atribui a causa da prórpria morte: para muitos, matar Sócrates significava não ter que desnudar a própria a alma. Contudo, o processo que Sócrates já iniciara não pode ser detido nem mesmo com sua morte.
A estrutura do método socrático é precisamente o diálogo, que consta em dois momentos essenciais: a refutação e a maiêutica. Ao por o método em prática, sócrates valia-se da máscara do "não saber" e da temida arma da "ironia."
O não saber socrático
"Eu só sei que nada sei" é uma das afirmações mais famosas de Sócrates, mas muitas das vezes pouco se entende o seu significado.
"Os Sofistas mais famosos relacionavam-se com os ouvintes na soberba atitude de quem sabe tudo. Sócrates, ao contrário, colocava-se diante dos interlocutores na atitude de quem não sabe e de quem tem tudo a aprender."
Com essa afirmação, Sócrates pretendia fazer uma afirmação de ruptura:
a) em relação ao saber dos naturalistas, que era vão
b) em relação ao saber dos sofistas, que não passava de opinião
c) ao saber dos políticos e de outros artistas, que era acrítico e inconsistente.
c) ao saber dos políticos e de outros artistas, que era acrítico e inconsistente.
Além desses três pontos, afirmar não saber de nada fazia parte da ironia socrática, onde dessa forma ele fazia com que o interlocutor expusesse suas ideias na intenção de ensinar Socrátes.Também em relação a Deus (que sabe de tudo), a sabedoria humana de nada tem valor, e Sócrates era considerado sábio justamente por ter reconhecido isso.
A ironia socrática
A ironia é característica substancial da dialética socrática, que nesse caso trata-se de uma brincadeira feita por Socrátes com o objetivo de levar ao interlecutor a "dar conta de si mesmo." Já explicamos em que consistia esse "dar contas", é uma auto-avaliação moral e intelectual que o homem fazia de si mesmo ao conversar com Sócrates. Como se pode ver, essa brincadeira tem um objetivo sério e portanto, é metódica.
Em muitas simulações, Sócrates fingia até mesmo concordar e acolher os métodos do interlocutor, principalmente quanto este era um homem "de cultura", e brincava de engrandece-lo até o que beirava a caricatura. Porém, como foi dito, isto tinha um objetivo sério por trás: derrubá-lo com as mesmas ideias e lógicas que lhes era própria e amarrá-lo na contradição.
Resta agora abordar os outros dois pontos da dialética: a "refutação" e a "maiêutica."
A refutação e maiêutica
A refutação consistia no momento em que Sócrates levava o interlocutor a reconhecer a própria ignorância.
"Primeiro, ele forçava uma definição do assunto sobre o qual a investigação versava; depois, escavava de vários modos a definição fornecida, explicitava e destacava as carências de contradições que implicava, exortava o intelocutor a tentar nova definição, criticando-a e refutando-a com o mesmo procedimento; e assim continuava procedendo, até o momento em que o interlocutor se declarava ignorante."
Naqueles que eram arrogantes e medíocres, a refutação era motivo de ira e irratação. Porém, naqueles que eram humildes e realmente se preocupavam com a verdade, servia como purificação das falsas certezas, consequentemente levando a uma nova busca pela verdade. E assim, passamos ao segundo método dialético: a maiêutica.
"A minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto." — Sócrates, Teeteto.
“0 que é fora de dúvida é que nunca aprenderam nada comigo; neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo, nisso tudo, eu e a divindade como parteira.”
Sócrates se compara à uma parteira, pois sua função, segundo ele, é preparar o individuo para dar à luz ao conhecimento contido em sua alma. Porém, como fica evidente neste trechos, ele só o faz quando o individuo já está preparado para dar à luz, quando ele se permite à isso, ou seja, quando reconhece a própria ignorância na refutação.
"A minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto." — Sócrates, Teeteto.
“0 que é fora de dúvida é que nunca aprenderam nada comigo; neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo, nisso tudo, eu e a divindade como parteira.”
Sócrates se compara à uma parteira, pois sua função, segundo ele, é preparar o individuo para dar à luz ao conhecimento contido em sua alma. Porém, como fica evidente neste trechos, ele só o faz quando o individuo já está preparado para dar à luz, quando ele se permite à isso, ou seja, quando reconhece a própria ignorância na refutação.
Fonte: História da Filosofia, vol I, Filosofia Pagã Antiga ; Giovanni Reale; Dario Antiseri


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